14 de setembro de 2014

I'm a fire starter – Parte 2

 




Acordei no outro dia assustada, nem vi a hora que apaguei, estava embrulhada e estava com a mesma roupa em que eu estava na praça. Olhei de um lado pro outro olhando meu quarto, eu não me acostumava com aquele tanto de rosa, senti meu estomago roncar, apenas levantei e troquei de roupa, coloquei uma camisa bem grande e fiquei com a meia-calça furada. Desci as escadas e fui direto pra cozinha, encontrei minha mãe nas panelas.

_O que está fazendo?_ Perguntei a olhando mexer no arroz. Mas já?

_O almoço.

_Já?

_Filha sabe quantas horas são?

_Não.

_Pois é, hora de almoçar._ Apenas bufei e abri a geladeira pegando um iogurte.

_Cadê a tia e o papai?

_Seu pai está trabalhando e sua tia saiu.

_Ah!_ Falei me sentando no balcão de mármore e lambi a tampinha.

_Filha. Você já pode ir pra escola amanhã, já te matriculei._ Arregalei os olhos e a olhei incrédula.

_Mãe... O que?

_Calma, te matriculei no novo colégio, poucas pessoas estudam lá, ou melhor, eles não estudam lá._ Deixei todo meu ar sair, minha mãe percebeu meu alívio e deu uma risadinha.

_Tudo bem, só que não comprei nada ainda.

_Eu já comprei pode ficar despreocupada._ Falou sorrindo.

                Apenas pulei da bancada e subi as escadas indo direto pro meu quarto. Deitei na minha cama e olhei pro teto. Joe deu em cima de mim, isso era estranho e Taylor me olhou como se eu fosse um alvo difícil, coisa que nunca fui pra ela... Eles não lembram de mim, essa é a única razão. Todos os lápis, maquiagem e roupas diferentes fizeram com que eles não se lembrassem de mim.

                Sorri. Isso seria interessante!

 

                Depois de umas horas a campainha tocou, minha mãe quem abriu a porta e se assustou ao ver Lisa.

_Lisa?

_Érr... Demi está.

_Estou aqui._ Falei levantando o braço. Eu estava deitada no sofá com a cabeça pra baixo e as pernas pra cima, ela me olhou incrédula, mas depois riu. Me levantei num pulo e peguei seu braço a tirando da porta e a puxando._ Vem comigo._ A levei até meu quarto. Estremeci ao ver aquele tanto de rosa. Nos jogamos na cama.

_Falei que viria depois._ falou.

_É eu sabia. Mas tem uma coisa que quero te falar. O Joe ontem, meio que jogou charminho pra cima de mim...

_Ah não Demi... Você ainda ta interessada nele... Por...

_TA LOUCA._ Gritei espantada._ Claro que não._ falei mais baixo me recompondo._Tipo, eu só quero saber se ele me reconheceu, por que Joe Jonas nunca daria em cima de Demi Lovato sem alguma apostinha ou coisa pior._ Ela pareceu pensar.

_Pra falar a verdade se você não tivesse me falado eu também não teria te reconhecido, e claro seu sorriso é inconfundível._ Sorri ficando vermelha. Que ridículo._ Acho que ele não te reconheceu. Por quê?

_Acho que isso pode ser interessante. Não acha?_ A olhei com um olhar pensativo. Ela deu um leve sorriso.

_O que ta pensando em fazer?

_Não, por enquanto não faço a mínima ideia._ falei colocando a mão no queixo pensativa. Depois a olhei eufórica._ Mas você não pode falar pra ninguém quem sou eu ok.

_Ok._ Ela riu do meu estado e depois eu comecei a rir também.

 

                Já fazia uma semana em que estava estudando. Lisa queria passar pro mesmo colégio que eu, mas não deixei. Bom, o ano estava acabando, ela só perderia tempo. Bem, ela também acabava me contando o que os garotos aprontavam, apesar de na verdade ser o mesmo de sempre. Estúpidos. Às vezes, quando saía à noite encontrava eles na praça, eles tentaram falar comigo, mas não deixei. Lisa me falou também que todos perguntavam pra ela de onde ela me conhecia. Até mesmo Ashley. Bom, fiquei bem surpresa por que Ashley não abria a boca pra falar com ela, nem mesmo com insultos ela perdia tempo... Eu gostei muito de saber, Ashley me via como ameaça. Rá, como se eu quisesse alguma coisa com Joseph.

 

                Eu e Lisa saímos de casa, já estava à noite, tava fazendo um pouco de frio, mas minhas roupas não mudaram. Vesti um vestido curto e solto preto, pontudo nas laterais e escrito na frente:”I’m not normal”, com um decote um pouco discreto, vesti um blusão que tampava meu vestido atrás e um all-star preto. Meu cabelo ficou solto caindo pelas costas e a franja tampando a metade do rosto, a maquiagem bem escura só com os lábios claros.

_À noite hoje ta linda._ Lisa comentou apertando o casaco no corpo.

_ Aham._ Falei apenas. Não sei por que, mas senti uma vontade imensa de estar acompanhada, não com uma garota, mas um garoto, Joseph. O Joseph que fingiu que gostava de mim. Na hora estremeci, balancei a cabeça e foquei somente em Lisa._ Sim, a noite está linda mesmo._ Falei e olhei pra frente vendo os meninos na praça. Eles nunca saíam dalí? Ou será que eram apenas coincidências? Olhei pra Lisa que também me olhou.

                Nos sentamos debaixo de uma árvore onde a luz pegava menos.

_Você lembra quando estudávamos aqui?_ Perguntei olhando nossas iniciais na árvore._ Cara, só agora vejo como é patético colocar as iniciais na árvore.

_Ah! Fala serio, estávamos marcando nossa amizade. E olha, agora estamos aqui relembrando, isso é bom._ Ri, mas meu sorriso sumiu quando vi minha inicial com a do Joe, no dia em que nos beijamos fizemos isso. Meu coração se apertou. Não entendo por que ele não apagou. Talvez por que nem vem mais aqui, com medo de ter lembranças tão horríveis. Peguei uma pedra e rabisquei até não mostrar mais nada. Lisa apenas me olhou com a boca pro lado franzida._ É, talvez coisa desse tipo seja patético mesmo._ Falou e eu ri.

                Do nada os meninos olharam pra nós, chamando nossa atenção. Por que eles olharam assim de repente? Nos entreolhamos. Eles começaram a vir em nossa direção. Olhei pro lado e cochichei.

_Merda!

                Do nada eles se sentaram a nossa frente, fazendo uma roda.

_O que estão fazendo aqui?_ Perguntei com uma voz ameaçadora.

_Ei, calma tigresa._ Kevin falou e eu o olhei como se ele fosse um tapado. Bom, ele era.

_O que querem aqui?_ Pergunto.

_Bom, queremos passar um tempo com vocês._ Zack falou e eu o olhei com uma sobrancelha levantada desconfiando._ Tudo bem, queremos fazer um jogo, e seria legal se você part... _ Olha pra Lisa..._ Vocês participassem.

_Ah!_ Dou risada irônica._ To fora. Não quero perder meu tempo com vocês._ Quando fui me levantar Nick fala...

_Você fala como se já nos conhecesse._ Paro e o olho._ Sempre nos olhando feio, nos maltratando quando tentamos ser legal...

_Só conheço o tipo de vocês._ falei um pouco nervosa.

_Por que não nos deixa mostrar como somos de verdade?_ Nick continuou. Nunca me importei por Nick ser bem esperto, mas agora isso estava me deixando louca._ Nos deixa mostrar como somos._ Como não falo nada ele vê como uma concordância._ Vamos jogar o jogo verdade ou consequência._ Meu corpo tremeu quando escutei.

_Fala serio... Essa brincadeira é um pé no saco.

_Mas é interessante..._ Joe falou._ Quando tem pessoas interessantes.

_Ah! Tudo bem façam ficar interessante._ Falei com cara emburrada. Zack apenas riu, terminou de beber sua cerveja e colocou a garrafa no meio. Lisa me olhou com um olhar desesperado, eu apenas lhe dei um sorriso lhe avisando que sabia o que estava fazendo.

_Kevin Pergunta pro Fred._ Zack avisou.

_Bom,_ Kevin pensou._É verdade que você pegou a novatinha do colégio?_ Rolei os olhos. Idiotas.

_Kevin, ela já ta no colégio há um ano._ Joe falou olhando incrédulo pra Kevin.

_Ah, pra mim ela vai ser sempre novata.

_É, é verdade, a peguei de todas as formas possíveis._ Fred falou orgulhoso, o olhei com cara de nojo e ele mudou sua feição ficando sem graça.

_Roda logo essa merda._ Falei e Nick pegou a garrafa também não gostando muito pro lado em que o jogo estava indo. Mas foi ainda pior.

_Eu pergunto pra você_ Nick falou com um sorrisinho vitorioso nos lábios. MERDA._ Bom, vou começar com uma pergunta simples. Qual é o seu nome?_ A respiração de Lisa começou a ficar desesperada e todos olharam pra ela. A pergunta não era tão simples assim pra mim.

_Espera aí, é pra responder só verdade ou mentira._ reclamei.

_Vamos deixar o jogo mais interessante.

_Érr..._ Quando não sabia o que fazer Lisa ficou desesperada e todos franziram a testa olhando pra ela._ Meu nome é Denise._ Falei o primeiro nome que vinha na minha cabeça, todos voltaram a me olhar.

_Você tem o mesmo nome que minha mãe._Joe falou. Foi aí que me lembrei que o nome da mãe de Joe era Denise. Ah! Zack voltou a rodar a garrafa.

_Joe pergunta para Lisa._ Zack falou.

_Hum..._ Joe pensou._ De onde conhece Denise?_ A olhei na hora.

_Érr... De uma viagem que fiz... Érr... Fui pra casa do meu tio nas férias e ela morava na mesma rua._ Todos pareceram pensar, então peguei a garrafa e rodei.

_Eu pergunto pra você Joe._ Falei com um olhar desafiador.

_Como sabe meu nome?_ Olhei pra Lisa.

_Lisa me falou o nome de vocês e eu sou boa pra gravar... E sou eu quem vai fazer a pergunta.

_Tudo bem._ Falou

_Você já se apaixonou?_ Joe me olhou por um tempo antes de responder, olhou pros amigos.

_Não, não mesmo._ Respirei fundo, ele ainda respondia zoando. Ele não mudara nada. O imbecil de sempre. Rodei a garrafa e Sterling perguntava pra Lisa.

_Com quem Denise está vivendo aqui?_ Olhei pra ele incrédula.

_Ei, a pergunta era pra ser sobre ela e não sobre mim._ Falei nervosa.

_Érr... _ Sterling tentou falar alguma coisa, mas eu fiquei com tanta raiva que o cortei.

_Não responda Lisa. E você é um otário._ Peguei a garrafa e rodei vendo todos me olhando um pouco assustados com minha agressividade. Eu perguntava pra Joe novamente.

_Bom,_ respirei fundo e o olhei, bem no fundo dos olhos._ Você já se arrependeu de alguma coisa que já fez pra outra pessoa?_ Ele ficou me encarando e eu não me atrevi a desviar o olhar. Vi algo brilhar no olhar dele, então ele olhou pra baixo.

_Já._ Falou apenas. Fiquei tão intrigada que queria saber mais.

_O que?_ Perguntei e ele apenas me olhou novamente e rodou a garrafa e enquanto a garrafa rodava, nós não tiramos os olhos um do outro.

_Uma pergunta de cada vez._ Falou e olhou pra garrafa que havia parado, já eu não consegui parar de olhá-lo._ Kevin pergunta pra você._ Saí do transe assim que escutei. Olhei pro Kevin com cara de tacho. Ele era um doente mental, idiota.

_Érr... Você ainda é virgem?_ Perguntou e depois deu um sorrisinho malicioso. Todos me encararam.

_ Cara, que pergunta mais idiota._ Falei com toda a minha raiva. Todos ficaram esperando a resposta._ Sabe o que eu acho? Que vocês estão aqui vendo quem consegue me pegar primeiro._ Todos se entreolharam como se eu tivesse acertado na mosca. Rolei os olhos incrédula._ Vamos embora Lisa._ Me levantei puxando Lisa pelo braço e comecei a sair dali a paços largos.

_Kevin seu idiota._ Escutei Zack reclamando.

 

                Quando comecei a estudar agradeci a Deus por ninguém me conhecer, mesmo sabendo que meu pai tinha entrado na justiça e tirado o vídeo da internet e quem colocasse novamente iria ser preso, sabia que as pessoas não haviam esquecido e aquilo... Eu não queria passar novamente.

                Tomei muito cuidado para que o grupinho ridículo não me visse indo pra casa de meus pais, todos sabiam que aquela casa era a casa dos Lovatos, sempre quando os via perto de minha casa ia para casa de Lisa.

                Todos da cidade tinham curiosidades ao meu respeito, mas eu tentei ser o mais reservada possível e meus pais me apoiaram, como sempre.

                Me sentei na mesa em uma sorveteria quando estava voltando do colégio e pedi um picolé de fruta. Estava tranquila até ver Joseph voltando do colégio, ele me viu e fez questão de se sentar em uma mesa a minha frente e pedir sorvete. Fiquei o olhando com cara de tacho, até ele me olhar e curvar seus lábios num sorriso presunçoso. Me levantei e comecei a andar. Ele era tão idiota, não iria aguentar ficar com ele no mesmo lugar. Senti mãos segurar meu braço e me virar bruscamente, puxei meu braço tão forte que quase caí.

_Ei_ Joe me olhou surpreso._ Só saiu por que eu estava ali?

_E se for?_ falei me virando pra sair mas ele me segurou novamente.

_Ei, dá pra parar de ser tão marrenta? Por que vive fugindo? Você nem me conhece direito. Por que não conversamos pra você me conhecer direito? Tenho certeza que não irá mais querer se afastar._ Sorriu convencido, eu apenas revirei meus olhos e tirei meu braço de sua mão.

_É por isso._ Me virei, mas não andei, sabia que ele não iria desistir e não queria mais que me tocasse.

_Eu não sou assim como você ta pensando... Eu... Eu já fui assim, mas eu mudei, sabe as pessoas mudam e pode ter certeza que não sou mais o cara que você acha._ Não fazia muito sentido, mas me interessou. Apenas me virei pra ele que sorriu vitorioso._Vamos sentar e tomar um sorvete.

_Ok, mas quero saber mais sobre você então.

_Suave._ falou e puxou uma cadeira pra mim que nem liguei e me sentei em outra. Não o olhei, mas sabia que ele estava dando aquele sorrisinho desafiador. Ele se sentou a minha frente e começou a tomar o sorvete me olhando._ Pode começar a perguntar o que quiser.

_Ok._ O olhei com o olhar mais desafiador que eu tinha, mas parece que não havia surtido o efeito que eu queria, ele nem tremera._ Bom, parece que você está dando em cima de mim, não é mesmo?

_Quem te falou isso?

_Bom, até um cego vê isso, na primeira vez que me viu, pra mim aquilo foi meio que uma cantada, cafona, mas foi.

_O que tem?

_E antes disso vi você beijando uma puta que mostrava a metade da bunda com aquele sinto._ Joe sorriu um pouco assustado com minhas palavras, apenas continuei o fitando enquanto chupava meu picolé.

_Ah!_ Ele abriu a boca mas não saiu nada.

_Então?

_É complicado, não temos nada serio, sempre ficamos com outras pessoas, mas depois acabamos voltando um pro outro e pior, ela acha que é dona de mim e fica com ciúmes de toda menina que fico.

_Então por que sempre volta pra ela?

_Não sei, acho que não tenho nada melhor pra achar por aqui.

_Caramba, esse lugar está terrível então hein._ Ele apenas riu.

_Você parece não gostar dela. Por quê?

_Primeiro: Pelo jeito que ela me olhou. Segundo: Conheço aquele tipinho. E terceiro: Ouvi falar sobre ela._ Dei mais uma chupada._ Outra pergunta, O que você se arrependeu?

_Como assim?_ Ele pareceu não entender.

_O jogo, você falou que havia se arrependido de uma coisa, o que?

_Ah!_ Ele abaixou a cabeça._ Você já foi pra um lado um pouco pessoal.

_Foi algo com sua família?

_Não, foi uma garota, fiz uma coisa muito ruim que nem a cidade gosta de comentar.

_A cidade inteira sabe?_ Cheguei onde queria. Ele só podia estar falando de mim. Estava com tanta atenção Nele que nem quis mais saber do picolé.

_Sabe, mas acho melhor mudarmos de assunto.

_Não, me conta só mais um pouco. Como ela era? Você gostava dela?

_Érr.. _Ele pareceu um pouco desconfortável, meu Deus, eu estava adorando vê-lo daquele jeito falando sobre mim, não sabia que esse dia chegaria._ Ela era... Uma nerd, sabe? Daquelas que é feia e sem amigos?_ Senti meu coração se apertar, não podia recair novamente. Apenas balancei a cabeça confirmando._ E eu não gostava dela.

_E o que fez de tão terrível pra se arrepender?_ perguntei com a voz dura.

_Não gostaria de falar sobre isso._ Voltou a comer o sorvete, meu picolé já havia derretido, apenas o joguei em uma lata de lixo.

_Ela gostava de você?_ Ele deu umas risadinhas.

_Ela me amava. Só depois que descobri, ficou mais fácil pra fazer o que queria.

_Você a levou pra cama?_ Perguntei, não aguentava mais esperar.

_Érr... Foi, foi isso.

_Mas por quê? Você falou que não gostava dela.

_Bom, é difícil sabe, mas quando a conheci melhor até a achei bonita.

_Você se apaixonou por ela._ falei e ele me olhou assustado.

_Não, claro que não.

_Olha, pode falar, nós nunca vamos ter nada, vamos apenas tentar ser amigos ok, pode me falar se já se apaixonou._ Ele me olhou bem no fundo dos olhos.

_Nunca me apaixonei e mesmo que eu me apaixonasse um dia com toda certeza não seria por ela, na verdade não sei por onde anda. É por isso que me sinto mal, não esperava que ela fosse fugir.

_Talvez assim fosse mais fácil passar por uma desilusão não acha? Ficando longe de você?

_Talvez, mas os pais dela ficaram e estão bem preocupados. Mas não me importa._ falou balançando a cabeça e me olhando novamente.

_Bom, eu tenho que ir._ falei me levantando.

_Eu te levo...

_NÃO._ Ele me olhou assustado._ Quero ir sozinha, preciso pensar um pouco.

_O que eu disse te assustou?

_Não. Na verdade ficamos mais íntimos, depois conversaremos novamente pode ser?_ Ele apenas sorriu largamente._ Tchau, até depois._ Lhe dei as costas e meu sorriso sumiu e senti as lágrimas invadirem como ondas na costa.

                Cheguei em casa e fui direto pro meu quarto, andei de um lado pro outro, estava tão nervosa que poderia quebrar a janela, mas apenas fiquei andando tentando tirar aquela frustração. Joseph Jonas iria me pagar. Teria que ser forte. Fui ao banheiro e me olhei no espelho. Dei um grito e o soquei fazendo-o quebrar cortando minha mão. Apenas comecei a chorar, era isso que eu fazia quando estava naquele lugar.

Continua...


Galera obrigada pelos coments... E que bom que gostaram do design e da história.


Respondendo aos comentários:
Tatiane Luiza que bom que gostou do design ficou super a cara da fic neh... e estou muito feliz por ter gostado da história...
Mirely Bonfim Ficou baaaaaafoooo neh kkkkkkkkkkkkkkkkkkk... Olha acho que a MONA acabou a outra história, como el parou estou postando esta, mas acho que já acabou. E continue lendo que vc vai descobrir o que quer.
Stephane Gabrielle Continue viciada kkkkkkkkkkkkkkk
 
Obrigada galera, continuem conectados com o blog
 
BEKAAAAA !!!!
 

12 de setembro de 2014

I'm a fire starter – Parte 1


Galera nova Mini-fic pra vocês de 4 capítulos... Eu estou escrevendo o último capítulo e resolvi postar logo, estou gostando muito, espero que vocês também gostem. Comentem pra que nós podermos saber suas reações.

Let's go.




Oh não! Por favor, me diga que é apenas um pesadelo...

                Não podia acreditar que estava voltando praquele lugar.

                Eu olhava a pequena cidade onde nasci pela janela do carro, sentia meu estomago esmagado, minhas lágrimas loucas pra saírem, minha cabeça girando. Minha tia me olhou pelo banco do motorista e deu um sorriso fraco. Apenas respirei fundo, coloquei meu fone no ouvido e deitei no banco traseiro fechando meus olhos o mais forte possível.

                Passamos pelas ruas que eu sabia muito bem até mesmo sem olhar e paramos em frente a minha casa.

_Vamos Demi, está na hora da realidade._ Falou pegando em minha perna e fazendo um carinho para me reconfortar. Deu vontade de gritar, espernear e chorar... Mas a única coisa que fiz foi abrir a porta do carro e sair como se nada estivesse acontecido, já estava escuro, o sol havia acabado de se por. Ouvi minha mãe correr e abrir a porta o mais rápido que pôde, ela respirou antes de correr e me abraçar, ou melhor, me esmagar. Fiquei quieta, não a abracei e nem esbanjei nenhuma reação, vi meu pai também sair e ficar na porta me olhando incrédulo, com certeza ele não estava me reconhecendo.

_Oh minha filha, graças a Deus._ Falou chorando e me apertando.

_Mãe... Será que podemos entrar, não quero que me vejam._ falei com a voz seca. Minha mãe se afastou de mim e me olhou e depois sorriu.

_Vamos querida, deve estar com saudades de casa né._ falou e me puxou. Ah claro, estava morrendo de saudades de casa, estava com tanta saudade que dava vontade de vomitar. Sentei no sofá e comecei a respirar fundo, não podia ser fraca agora, não podia chorar.

_O que houve com você?_ Meu pai perguntou com aquele tom autoritário, mas seus olhos mostravam a saudade. Olhei pra mim... As botas pretas, calças rasgadas, regata branca, uma blusa de frio preta enorme que tampava a metade de meus dedos, as unhas pretas, o cabelo tingido de preto e claro a maquiagem mais escura que ele já viu em toda a sua vida, sorte que não havia visto ainda o tanto de brinco que estava sendo tampado pela toca da blusa de frio. Apenas dei de ombros.

_ Por que fizeram isso comigo?_ Perguntei enfim. Meus pais se olharam.

_Por que você fez isso com a gente. Três anos Demi... Sabe o que é isso? Três anos sem saber onde sua única filha está. Você pirou?..._ Minha mãe não conseguiu terminar e começou a chorar.

_E olha como volta? Demi, você não tem noção do que passamos.

_NÃO, VOCÊS NÃO TEM NOÇÃO DO QUE PASSEI AQUI, EU PRECISAVA...._ Gritei já deixando minhas lágrimas caírem.

_Ela precisava, isso ajudou muito ela._ Minha tia Lícia começou a argumentar.

_CALA A BOCA LÍCIA._ Minha mãe gritou._ Você é uma irresponsável por ter ajudado Demi a fugir e não avisar ninguém.

_Se eu tivesse avisado eu já estaria aqui há muito tempo. Mãe a senhora não entende eu odeio esse lugar. _ Me levantei impaciente.

_Demi...

_Vocês chamaram a polícia._ Interrompi meu pai._ Eu fui obrigada a voltar. Obrigada.

_Demi somos seus pais, você nunca foi assim com a gente, o que te deu?_ Meu pai perguntou incrédulo._ Não parece você, na verdade nem te reconheci.

_Eu mudei, não está vendo?_ Falei apontando pra mim_ Que droga.

                Subi as escadas e fui direto para meu quarto, parei na porta... Aquela porta me dava nojo, era branca com florzinhas rosa. Abri e me deparei com o quarto do jeito em que deixei. As paredes brancas e rosa, a escrivaninha no canto completamente entupido de livros e materiais, era minha cara, minha cama completamente rosa, pôster de famosos, figurinhas no enorme espelho que tinha na parede, figurinhas de corações na janela... Comecei a chorar olhando tudo aquilo. Eu era uma garota sonhadora cheia de esperanças. Eu era uma garotinha... Uma garotinha ridícula e inocente... Apaixonada. Eu era uma nerd ridícula, que não sabia se defender, que só sabia chorar. Deitei na cama e me encolhi, passei três anos sem chorar pra soltar tudo agora.

                Eu fugi com minha tia quando tinha quinze anos, ela me ajudou muito, me levou para outro estado, me fez mudar. Meus pais chamaram a polícia e demorou três anos para me encontrarem. Minha tia na época também era uma menina, tinha 21 anos, não ligava pra nada, ela sempre foi revoltada, mas depois de um tempo começou a se preocupar, mas eu não queria voltar, não estava pronta. Quando fizesse dezoito anos ligaria pros meus pais e falaria onde estava, já seria maior de idade, mas eles conseguiram me achar antes. Daqui um mês faço dezoito, mas como ainda sou menor de idade fui obrigada a voltar.

                Passei minha mão por baixo do travesseiro e senti um caderno, na hora abri os olhos, não podia acreditar que ainda estava ali. O puxei e me sentei, abri na primeira página...

Querido diário... Sei que é meio cafona começar assim, mas é assim que todos começam, não é?

Bom, pra começar, meu pai que resolveu me dar. Falou que viu na vitrine e achou a minha cara, achei muito fofo da parte dele...

                Comecei a rir. Caramba, como eu era cafona. O abri bem no meio em qualquer página...

Ai Meu Deus... Você não sabe o que aconteceu hoje comigo...

Desculpa-me por começar assim, mas é algo que eu nunca imaginaria que aconteceria logo comigo.

Joe Jonas falou que gosta de mim... AAaaaaaaa, eu não acredito, acho que ele quer me beijar... Logo eu. Quem disse que populares não gostam de nerds...

                Meu sorriso sumiu na hora, fechei o caderno e olhei pro teto tentando respirar, mas estava impossível, como se o ar não quisesse entrar em meu pulmão...

_Aaaaaaaaaaaaaa._ Gritei e joguei o caderno na parede e caí na cama chorando novamente. Queria tirar tudo isso de mim o mais rápido possível, não iria aguentar muito tempo.

                Olhei pro banheiro e então corri pra dentro dele, abri o Box e liguei o chuveiro me colocando debaixo de roupa sem me importar, a água quente caindo sobre mim me ajudou um pouco, até cessou meus soluços. Depois de me sentir melhor tirei minhas roupas e comecei a tomar banho.

                Joseph Jonas... Era a ultima pessoa que eu queria lembrar em toda a minha vida... Apesar de que todos esses anos foi algo impossível... O que ele fez é algo impossível de se esquecer, não só pra mim como pra todos.

                Saí do banho completamente pelada sem me importar e abri a gaveta... Meu Deus... Aquelas roupas... Segurei uma saia que eu gostava muito de usar pra ir ao colégio, perecia roupa de crente... Credo! E as blusas, sempre folgadas ou de mangas. Eu era uma nerd total. Peguei meu roupão “rosa” e saí, fui até em baixo onde todos estavam conversando e peguei minha mala, eles pararam pra me olhar, mas rapidamente saí e voltei pro quarto.

                Vesti uma blusa preta com uns cortes na frente que mostrava umas partes do sutiã, uma saia jeans, meia-calça preta de buraquinhos e um all-star preto cano longo, enchi minha cara de maquiagem preta, joguei uma blusa de frio bem grande em cima de minha roupa e saí do quarto. Minha blusa de frio era tão grande que tampava minha saia inteira atrás.

                Passei pela sala e abri a porta...

_Aonde você vai?_ Meu pai perguntou.

_Não vou fugir ok._ respondi ainda de costas. Quando fui sair minha mãe segurou meu pulso.

_Demi... Não precisa ser assim, do mesmo jeito que sofreu nós sofremos, nós passamos tudo juntos._ A olhei, sabia muito bem do que ela estava falando. Sim, eles haviam passado. Dei um leve sorriso e me soltei saindo de casa.

                Apertava as mangas enquanto passava por aquelas ruas, que pra falar a verdade estavam bem mudadas, tinham mansões novas, coisas diferentes. Coloquei o capuz na cabeça quando percebi que estava chegando à praça da cidade. Como hoje era sexta com certeza ela estaria bem cheia, e como pensei estava. Encontrei um lugar vazio no escuro debaixo de uma árvore e fui direto pra lá. Comecei a observar a cidade, estava bem renovada, vi as pessoas, conhecia algumas, mas a maioria era de fora, novas pra mim, e foi olhando elas que vi Ashley, a garota mais ridícula do colégio, estava com suas cachorrinhas, as garotas que sempre a seguia, parece que não se cansavam de ser usadas por Ashley, ela andava se achando com aquela mini saia, passou por mim, mas nem me viu por eu estar no escuro, graças a Deus. Abaixei o capuz da blusa e fiquei olhando o movimento até ver um grupo de rapazes e conhecer um... Zack. Fazia parte do grupinho de populares, é ele gostava muito de me zoar por eu ser uma nerd, ele e os amiguinhos dele. Do nada reconheci um a um. Sterling, Nick, Kevin, Fred e... E Joe. Oh Meu Deus... Eles estavam bem mais velhos e claro eles estavam lindos. Aqueles otários estavam uns gatos.

                Olhei pra Joe... Estava com uma camisa cavada branca mostrando seu corpo definido, uma calça jeans e all-star, seu cabelo estava cortado e ele estava bem mais velho. Do nada o vi se virar de frente pra mim, mas não me olhou, apenas deu um sorriso e vi Ashley chegando e lhe dando um selinho. Não creio que esses dois estão juntos até hoje, devem estar casando já. Bom, eles se merecem.

                Aquela cena me deu tanto nojo que me levantei, mas fiquei olhando tanto pros dois que nem vi quando esbarrei em alguém, vi muitos livros caírem no chão.

_Oh desculpe._ Vi muitos olhares em cima de nós, ou melhor, todos os olhares.

_Não tem problema._ A menina falou. Me abaixei e a ajudei, nos olhamos e a reconheci na hora.

_Oh Deus! Lisa!_ Ela me olhou como se eu fosse doida.

_Sou eu._ falou desconfiada.

_Não se lembra de mim?_ Perguntei. Ela me observou por um tempo.

_Não, me desculpe._ falou educada com uma cara de sinto muito.

_Demétria, Demi... Não se lembra? Lovato._ Ela arregalou os olhos.

_Oh Deus! Demi... É você mesmo? Você está bem diferente.

_Eu sei._ ri. Ela colocou os livros em cima de um banco e me abraçou apertado.

                Lisa sempre foi minha melhor e única amiga, nós sempre contávamos segredos uma pra outra, ela sempre soube tudo sobre mim e Joseph e eu sempre soube sobre ela também. E pra falar a verdade Lisa também estava bem diferente, estava linda, usando calças mais justas e seu cabelo estava enorme, estava linda.

_Caramba, você está bem diferente._ Ela falou me olhando.

_Você também.

_Não quanto você._ Nós rimos._Demi foi muito bom te ver, mas eu tenho que entregar esses livros na biblioteca e já ta passando da hora.

_Tudo bem._ falei.

_Foi muito bom te ver, depois nos encontramos ok.

_Ok, vai lá._ Nos abraçamos de novo e então ela foi.

                Bom eu também já estava de saída, não havia mais nada pra fazer ali, todos estavam me olhando e eu acabei ficando sem graça, coloquei o capuz e saí. Tive que passar pelo grupinho ridículo, Joe olhou pra mim e deu um sorriso sedutor e depois piscou. Ashley o olhou com uma cara de bicho, eu apenas sorri de volta e então levantei o dedo proibido. Do nada o sorriso dele sumiu e os amigos dele começaram a lhe zoar, Ashley me olhou de cima a baixo como uma recalcada ridícula. Apenas saí em passos firmes e sem olhar pra trás como eu devia ter feito há três anos.

                Cheguei em casa e fui direto pro meu quarto, sentei no sofazinho que tinha na janela e fiquei olhando pra fora.

                Joseph sempre foi um idiota, desde sempre... Ele era praticamente um ano mais velho que eu, ele fazia aniversario no começo do ano e eu no final. Sempre estudamos juntos. Eu sempre fui à nerd e ele e os amiguinhos os idiotas da sala.

                Todo fim de ano tinha um programa de arte na praça da cidade e todos mostravam seu lado artístico, me lembro que tentei cantar esse ano, mas vi o grupinho de Joseph e eles me vaiaram, então travei e não consegui cantar. Joe era um idiota, por que eu sabia que cantava bem, meus pais sempre me incentivaram, mas por culpa dele nunca dei conta de mostrar meu talento.

                Lembro-me muito bem quando eu passava o que eles falavam de mim...

_Ei nerd!_ Zack falou._ Não fala mais com a gente não?_ tentei passar sem olhar, sabia que era gracinha deles.

_Que bom, por que não queremos escutar sua voz._ Joe falou debochado fazendo seus amiguinhos rirem. Parei no armário para guardar meus materiais.

_Aí ridícula._ Ashley falou chegando perto._ Um pedaço da sua perna está à mostra._ Falou me zoando, eu estava de saia até o joelho e uma meia grande, só que minha meia estava um pouco abaixada, olhei pra Ashley e arrumei a meia.

_É melhor arrumar mesmo, por que estava ficando cego._ Sterling falou fazendo todos rirem. Ashley começou a rir e saiu com suas amiguinhas e bateu seu ombro no meu me fazendo bater no armário. Lembro-me de quase chorar na frente deles. Por que sempre eu? Sempre eu.

                Bom, Joe sempre me fazia chorar, na verdade não era somente ele, mas ele era o que me importava, mesmo chorando eu acabava perdoando ele. Na verdade eu sempre gostei dele, bem, eu sempre achei normal por que na verdade todas as garotas gostavam dele, não só dele como dos amigos dele, eles sempre foram um grupo de garotos muito lindos, mas do que adianta ser bonito se não presta?

                Lembro-me que Joe adorava falar dos meus óculos. Sim, eu usava óculos, agora uso lentes, não por beleza, mas sim por ser melhor. Ele adorava falar que eram fundo de garrafa, e nem era tudo isso, na verdade nem tinham tanto grau, era só pra me zoar mesmo, parecia que ele sentia prazer nisso. Ele também adorava agarrar Ashley na minha frente, acho que pra mostrar que eu nunca chegaria aos pés dela e que eu nunca o teria, como se ele soubesse que eu gostava dele.

                Mas um dia, tudo mudou, ou ele mudou, eu não sei. Só me lembro que estava na escola, muitos já haviam ido embora, eu tinha ficado pra estudar na biblioteca do colégio e Joe teve que ficar também por que ele estava em reforço.

                Quando fui sair da sala Joe esbarrou em mim e meus materiais caíram no chão, esperei ele me zoar ou gritar nervoso e me xingar, mas não...

_Desculpa._ ele falou se abaixando junto a mim e me ajudou a pegar minhas coisas. Na hora parei e fiquei o olhando com a testa franzida._ O que foi?

_Érr... Nada._ falei e terminei de pegar minhas coisas._ Obrigada.

_Érr... Demi..._ Falou e pareceu envergonhado, colocou a mão atrás da cabeça e ficou olhando pros lados. Na hora estremeci, ele me chamou pelo apelido, ele sempre me chamava de Lovato ou apelidinhos insultantes._ Érr... Eu vi você saindo e queria te pedir um favor..._ Apenas fiquei o olhando._ Falta dois meses pra gente entrar de férias e eu preciso passar, e minhas aulas não estão me ajudando em nada, como você é bem inteligente será que poderia me ajudar?_ Fiquei o olhando. Ele estava falando serio?

_Tem certeza que não é nenhuma brincadeirinha?_ Perguntei desconfiada.

_Tenho. É serio, preciso da sua ajuda.

_Jura?_ Eu não confiava em Joe Jonas.

_Juro._ Eu fiquei o olhando pensando. Não sabia se podia aceitar. Talvez ele estivesse falando a verdade, bom, que ele precisava de ajuda isso eu não duvidava.

_Tudo bem._ falei.

                Nesse mesmo dia comecei a dar aulas a ele no colégio, mas depois ele pediu pra ir a minha casa e então ele ficou indo pra lá em uma semana depois do colégio. Me lembro do ultimo dia de aula dele na minha casa, tivemos uma conversa bem interessante.

_ Bom terminamos por aqui._ falei._ Acho que você já está pronto.

_Obrigado._ Ele deu um sorriso sem graça. Ficamos nos olhando e como eu me senti mais a vontade perto dele depois de uma semana criei coragem e perguntei.

_Por que está sendo legal comigo? Você sempre me zoou e nem ligava se eu chorava ou não, apenas dizia que não gostava de mim e pronto, isso é por que estou te ajudando?_ Ele me olhou e pareceu pensar o que iria dizer.

_Olha Demi, eu nunca tive nada contra você, na verdade até pensei em ser seu amigo, mas... Eu tenho reputação, tenho meus amigos, então apenas os segui. Eu sei que se sente mal por tudo que faço e te peço desculpas._ Ele falou tão fofo e tão gentil que não teve como não o desculpar. Apenas assenti com a cabeça e olhei pro chão, meus olhos com certeza deveria estar brilhando de mais e eu não queria que ele visse._ Na verdade te olhando de perto assim te acho até bonita. Nunca havia reparado._ O olhei e parecia ser sincero. Meu coração na hora pulou.

_É serio?_ Não consegui segurar.

_Uhum._ falou chegando perto. Ele colocou a mão em meu rosto e acariciou com o polegar, olhou nos meus olhos sob os óculos._ É sim._ Falou como se estivesse hipnotizado. Ficamos assim por um tempo, eu nunca tinha beijado e parecia que ele iria fazer isso, um medo enorme tomou meu peito e então o empurrei.

_Ta na hora de você ir.

_Mas já?_ ele perguntou.

_É terminamos._ falei apontando pro caderno. Ele continuou me olhando.

_Demi, acho que sei por que sempre peguei no seu pé._ O olhei, essa eu queria saber. Fiquei esperando a resposta._ Por que sempre gostei de você, e eu... Eu não queria acreditar, mas... Mas agora tudo faz sentido._ Na hora minha respiração saiu falha. Eu não podia acreditar aquilo só podia ser mentira.

                Depois desse dia, ele sempre me encontrava no colégio, na hora do lanche e em outras horas, na sala sempre ficava do meu lado e não se importava com a zoação dos amigos. Um dia ele até roubou um beijo meu, mas foi apenas um selinho. Ashley me olhava com a cara mais feia que ela tinha. Ninguém do colégio conseguia acreditar, estávamos praticamente namorando. Lembro-me também do meu primeiro beijo, com certeza foi inesquecível.

                Estávamos na praça da cidade, eu estava sentada no chão encostada na árvore e ele deitado no meu colo. Estávamos rindo de qualquer coisinha. Então ele se sentou e me olhou.

_Demi, por que nunca me deixa te beijar?_ perguntou.

_Eu... Èrr..._ essa me pegou de surpresa._ Eu não sei.

_Você nunca beijou não é?_ Ele perguntou todo fofo e passou a mão por minha bochecha.

_Érr... Não._ Abaixei o rosto envergonhada e ele pegou em meu queixo levantando meu rosto.

_Você fica linda vermelha._ falou e eu soltei um risinho envergonhado._ Me deixa ser o primeiro?_ Minha respiração saiu a todo vapor. Eu só podia estar sonhando.

_Uhum._ soltei.

                Ele sorriu e então se aproximou. Eu não sabia o que fazer então apenas fechei os olhos. Senti seus lábios triscarem nos meus, era uma coisa tão boa que segui meus instintos, abri meus lábios e ele encaixou seus lábios nos meus, foi algo puro e bonito. Então ele segurou minha cintura e me puxou pra mais perto até nossos corpos se colarem e nosso beijo ficou mais intenso... Só quando ficamos totalmente sem fôlego que nos separamos. Ficamos ofegantes um olhando pro outro. Caramba, aquilo era muito bom. Então voltamos a nos beijar.

                Depois desse dia sempre nos beijávamos. Na minha casa, na casa dele, no colégio, na praça, no armário, no quartinho do zelador... Em todos os lugares que possa imaginar, já estava no ultimo mês de aula, seus amigos até pararam de me zoar um pouco. Me lembro no dia em que ele me chamou pra ir a sua casa, quando cheguei lá não havia ninguém, apenas ele. Ficamos conversando, brincando e beijando muito. Teve uma hora que as coisas ficaram intensas demais. Lembro que ele me pediu pra “dormir” com ele... Eu não sabia o que dizer, mas a lábia dele me convenceu. Por que não? Eu queria ter minha primeira vez com alguém que eu confiava e que eu amava, e ele era tudo isso. Lembro que cedi e acabamos ficando no seu quarto. Foi à melhor noite que tive em toda minha vida, foi algo com amor, carinho, paixão, calma... Foi tudo de bom, ele havia sido perfeito.

                Mas tudo acabou no outro dia no colégio...

_Demi... DEMI..._ Lisa veio correndo em minha direção._ Oh meu Deus Demi._ Ela parecia desesperada.

_O que aconteceu?_ Perguntei assustada.

_Você não sabe?_ Perguntou e parecia que iria chorar.

_O que Lisa? Fala.

_Hum, não sabia que era tão gostosinha assim._ Fred falou. Então vi Joe e os amiguinhos chegar e claro Ashley também. Não estava entendendo nada.

_Ah Joe, vai... Isso é muito bom._ Zack fingiu uma voz fina e todos começaram a rir. Eu arregalei os olhos na hora.

_O... O q..._ Não consegui terminar.

_Aí Joe, mereceu cada centavo da aposta, não sei como conseguiu comer essa daí._ Sterling falou me olhando com cara de nojo. Ashley abraçou Joe rindo. Senti meus olhos se encherem de lágrimas, não podia ser.

_Juro que pensei que não iria conseguir._ Nick falou me olhando.

_Eu pensei que odiava o Joe._ Kevin falou também._ É, mas pelo que vi Joe consegue qualquer uma mesmo._ Eu já chorava descontrolada.

_Você... Você Jurou._ Chorei.

_Oh Joe, você jurou._ Zack fez piada._ Cara, essa foi à melhor._ Zack riu batendo na mão de Joe. Ele olhou pro chão e depois riu debochado balançando a cabeça negativamente e me olhou.

_Achava mesmo que iria me interessar por você?_ perguntou abraçando Ashley.

                Não aguentei, deixei meus materiais cair e saí correndo. Todos me olharam e riram de mim, entrei no banheiro e Lisa veio atrás, me sentei no chão e fiquei chorando.

_Demi olha isso._ Lisa me entregou seu celular. Do nada comecei a assistir a noite em que passei com Joe.

_O que é isso?_ Perguntei desesperada.

_Ta bombando na internet.

_Por que fazem isso comigo?_ chorei novamente, eu apenas queria sumir dali.

                Me lembro que esse foi o dia que mais chorei. Entramos de férias, mas mesmo assim as pessoas me olhavam torto. Ficavam me zoando e me xingando. Até os pais dos alunos me olhavam de um jeito constrangedor. Meus pais quase morreram, mas sempre ficaram do meu lado. Joe nunca se importou, até por que a zoada era eu. Foram os piores dias de minha vida, até que resolvi fugir, foi muito difícil deixar meus pais pra trás, mas foi o único jeito, aquele lugar havia virado um inferno pra mim... E agora estou de volta.

Continua...




BEKA!!!!!!!!!!! Não se esqueceram de mim neh?

23 de julho de 2014





Cap. 06


Já havia seis semanas que estava estudando sobre autismo, me tranquei no quarto não dando atenção a mais ninguém, nunca imaginei que chegaria a fazer algo do tipo, mas até que estou dando uma de bom estudante.
Através de muitos estudos realmente descobri que não há cura, mas me comprometi a ser o primeiro médico da história a encontrá-la. Irei curar Demi nem que leve todos os dias de minha vida. Taylor me ajuda no que preciso e ainda chamei um amigo da biomedicina para me ajudar nas pesquisas laboratoriais.
Meu último encontro com Demi foi aquele na sala do hospital, nem Selena nunca mais apareceu, mas hoje decidi vê-la e mostrar tudo o que sinto por ela, sem nem mesmo saber explicar, saber de onde vem e porque veio, mas aqui esta. Sou dela e agora vivo por ela, preciso então ouvi-la dizer que sente o mesmo por mim, mesmo depois do que fiz.
Troquei-me vestindo uma jaqueta, arrumei o cabelo, coloquei um óculos escuro e comprei uma rosa branca, vou tentar jogar meu charme, tenho certeza que não vai resistir.
Ao chegar no apartamento toquei a campainha, sabia que ela atenderia, pois estudei muito bem o horário que nem Miley e Selena estariam. Não demorou muito para a porta ser aberta e então poder ver meu anjo que a tanto tempo não via, tão linda e singela. Estava sem expressão, porem um pouco assustada.
-Boa Tarde Demi, trouxe pra você. – Entreguei à rosa. – Como pedido de desculpas por ter sido um imbecil e também como melhoras. Como está?
Ela de inicio não me respondeu, me olhava como que tentando decifrar algo:
- Não estou entendendo Joe, o que você quer?
- Quero que me perdoe, vim aqui para isso. Estou arrependido de tudo o que falei, acredite em mim.- Ela permaneceu em silêncio. – Posso entrar?
-Acho que não é uma boa idéia.
- Então vamos dar uma volta, ainda está cedo e o sol não está forte, podemos tomar café da manhã juntos, está com fome?
Demi deu um suspiro forte, olhou para os lados um pouco impaciente, agora que compreendia sobre o autismo conseguia ver os sinais com facilidade.
- Tudo bem Joe, só espere eu me trocar.
Dei um passo a frente com o maior sorriso do mundo para entrar, mas ela fechou a porta na minha cara. Porque mulheres tem que ser tão complicadas? Eu não ia fazer nada com ela lá dentro.
Fiquei uns dez minutos esperando até me cansar e sentar no chão ao lado da porta, então finalmente Demi sai de dentro da casa trancando a porta:
- Vamos? – Colocou as chaves dentro da bolsa.
Me levantei radiante com tamanha beleza:
- Está linda! – Demi estava com uma calça legue preta e uma blusa solta branca com vermelha e os cabelos amarrados no topo da cabeça com o conhecido “rabo de cavalo”. Ela é linda.
Dessa vez não a levei no café, há tempos não vou lá. Fomos para fora dos muros da faculdade e a levei para praia mais próxima que tinha, em um quiosque que costumava ir quando mais novo. Lá é um ambiente tranqüilo e familiar, sabia que iria gostar.
Sentamos de frente para o mar e logo vieram trazer o cardápio.
- Vou querer um capuccino. – Falei antes mesmo de recebê-lo, Demi deu uma olhada e pediu uma salada de frutas com leite condensado.
- O mar hoje está calmo. – Disse vidrada nas ondas que se quebravam próximo a areia.
- Costumava vim aqui quando criança com meus pais e irmãos e sempre dizia isso.
- Você não parece ser do tipo familiar.
- Confesso que fui crescendo e mudando, minhas amizades não foi a das melhores, mas pra minha sorte essa mudança continua constante e graças a uma pessoa é pra melhor.
- Que bom então. Fico feliz por você.
- Sei que fica. – Ela continuou a comer sua salada e comecei a observar, não conseguia compreender como conseguia ser tão linda, havia uma força maior que me prendia a ela, como se para me abastecer ela fosse minha fonte. – Demi obrigado por ter me perdoado, mesmo sem merecer você foi muito gentil comigo e também por ter aceitado meu convite.
- Não precisa agradecer Joe, confesso que fiquei triste, magoada, mas são águas passadas, não sou de guardar rancor isso não faz bem a ninguém.
- Sei melhor que ninguém que isso é verdade. Mas me diz Demi você me perdoou mas porque aceitou vir comigo?
Ela continuou comendo como se tivesse ignorado minha pergunta.
- Acredito em você. Sei que quer ser diferente. Desde quando te vi pela primeira vez.
- Você passou a acreditar em mim, antes mesmo de eu acreditar. Você me trouxe esperança Demi e serei eternamente grato.
- Você fala como se fosse embora pra nunca mais voltar.
- Jamais faria isso, nem se você quisesse, não tenho forças pra ficar longe de você.
- Por favor Joe, não comece.
- Perdão Demi, só que você se tornou meu porto seguro, meu motivo de mudança, motivo pra continuar a viver de uma forma diferente, melhor pra mim mesmo. Você me faz tão bem...
Tirei uma mexa de seu cabelo colocando atrás da orelha, toquei sua pele, tão macia, quente, suas bochechas estavam rosadas a deixando mais linda, como se fosse possível, tocar seu rosto me pareceu a melhor de todas as aventuras, fazia carinho sem conseguir tirar os olhos de tamanha beleza que se encontrava em minha frente, ela apenas fechou os olhos, parecendo aproveitar o momento, sentia que como eu estava gostando daquela proximidade, seus pêlos estavam arrepiados e nossa respiração estava pesada se misturando uma na outra.
Levantei seu queixo, olhando no mais profundo de seus olhos e aos poucos fui me aproximando, ela não recuou, foi o que precisei pra sentir seus lábios tão doce nos meus, senti meu estômago arder, minhas pernas ficaram fracas, quando senti sua língua, tive total certeza, de que não havia nada mais certo do que aquilo, naquele momento, era o melhor beijo da minha vida, senti amor, paixão, doçura, ingenuidade, Demi finalmente era minha e sempre seria.De repente, eu sabia que nunca havia sentido algo tão forte por outra pessoa como acontecia  naquele momento.
- Amo você Demi Lovato!
Ela sorriu entre o beijo:
-Amo você Joe Jonas.

Me senti o homem mais feliz do mundo, Aquelas poucas palavras mudaram toda minha vida, minha essência, nunca imaginei que chegaria a ser um bobo apaixonado, mas sim me tornei um, e essa é a melhor sensação que existe, a de amar e saber que é amado.

10 de julho de 2014


Pessoal temos uma nova leitora brunna gabriela gostaria d pedir p q vcs dessem uma olhada em seu blog q é divoo, digno d uma lovatic <3







Cap 05


Cheguei ao hospital já sem fôlego, perguntei a primeira enfermeira que vi sobre Demi.
- Posso saber o que é dela?
- Sou namorado.
- Assim, tudo bem. Ela já está melhor tomou os medicamentos que não havia tomado hoje, tiramos sangue pra fazer alguns exames, mas não se preocupe que ela já está fora de riscos, foi só mais um dos grandes sustos. – Me deu um sorriso acolhedor.
- Me diga, por favor, o que a Demi tem?
Ela me olhou espantada, como se a pergunta que tivesse feito fosse o fim do mundo.
- Você não sabe o que sua namorada tem?
- Também acho estranho então pode me dizer?
- Sr., Demi é autista.
Todo o mundo parou e sua voz ficou ecoando em minha mente. Demi é doente? A enfermeira se assustou com meu estado e veio falar comigo, mas apenas me afastei saindo do hospital procurando ar.
Me senti um inútil idiota, enganado. Minhas pernas estavam bambas, não conseguia acreditar que a única garota que me fez começar a ver as coisas diferentes não é normal. Sentia ódio dela e de todos que diziam ser meus amigos porque me enganaram. Minha vontade era de jogar todo esse sentimento na cara dela, por ser uma falsa, com aquele olhar ingênuo, mas que é como as outras, na verdade pior, Jehn com certeza é mais mulher que Demi. Olhei com convicção para o céu e decidi que era isso que faria.
Voltei com passos largos e duros para dentro do hospital, perguntei pra recepcionista o número do quarto e fui em direção ao quarto. Ao me aproximar da porta Kevin aparece me puxando para trás.
- O que está fazendo aqui? – Perguntou quase que num sussurro.
- Me solta! – Gritei. – Vou falar com aquela hipócrita agora!
- Pare de gritar. De quem você está falando?
- Da Demi, e de você também, de todos vocês que mentiram pra mim.
- Joe pode ser mais claro?
- Vocês esconderam de mim sobre a doença de Demi.
- Você não sabia? Deixa de ser idiota, só de olhar pra ela se percebe.
- Ela pra mim parece ser bem normal. – Disse exaltado, mas sem gritar como antes.
- Todos sabem, vai me dizer que você é a única pessoa da face de terra que não sabia? Deixe de se fazer de vítima, porque ela precisa de alguém que a ajude e apóie, ou você acha que é fácil lhe dar com essa doença?
- Mas como nunca percebi?
- Você é um burro, idiota que só olha pro seu próprio umbigo, se preocupar com os outros não está na sua lista de prioridades.
- Porque então ainda fala comigo?
- Porque por ser seu amigo irmão não desisto de você.
O olhei bem e vi que estava sendo sincero, o conheço muito bem.
- Preciso falar com ela! – Abri a porta entrando não dando oportunidade de me impedir.
A sala até que era grande, confortável e arejada. Demi estava deitada na maca, por um instante até pensei que estivesse dormindo, mas logo que percebeu a presença de alguém virou-se para a porta, estava tão pálida, com olheiras fundas e fraca, mas mesmo assim me acolheu com um sorriso.
- Não imaginei que viesse..- Disse com a voz falha.
Naquele momento me deu uma vontade tão grande de correr para os seus braços e lhe dar todo carinho e atenção, de cuidar dela, lhe dar muitos beijos, mas não era isso que deveria acontecer.
- Porque você não me falou ?
Ela me olhou sem entender, mas aos poucos parece que tudo foi ficando mais claro, pois sua feição foi mudando.
- É claro... está explicado porque você ficou tanto tempo comigo, se soubesse nem teria se dado o trabalho de saber meu nome. Me desculpe por ter sido uma perca de tempo pra você.
- A questão não é essa, não tenho preconceito ou seja lá o que está pensando, só podia ter me avisado, eu acreditei em você, vi em você uma luz que nunca vi em lugar algum, mas agora te vendo, você perdeu todo seu brilho.
- Você queria que eu dissesse: cuidado sou doente não se aproxime de mim!? Ta na cara que eu não sou como as outras garotas... olha pra mim!
- Eu estou vendo Demi, quem tem problema aqui não sou eu! Quer saber a verdade, cansei... cansei de tudo e de todos, cansei de você... você nunca me daria o que eu preciso mesmo.
Demi ficou paralisada me olhando assustada, como se estivesse sendo difícil absorver tudo o que tinha dito, mas não estava mais aguentando guardar tudo isso só pra mim, confesso ser um pouco explosivo.
Como não disse mais nada e eu também não tinha nada a dizer dei as costas batendo a porta.
- O que você fez Joe?
- Me deixa Kevin!
Sai daquele hospital o mais rápido que pude, praticamente correndo.
Cheguei em casa me jogando no sofá, minha cabeça explodia, então me lembrei do que Kevin disse sobre minha lista de prioridades e logo depois o que Demi disse:
“A partir do momento em que você investe tempo, energia e dinheiro com algo, ele se torna importante pra você. É difícil se importar com algo em que não se investiu.”
O sorriso dela veio em minha mente, como conseguia ser tão linda, e nunca demonstrou ter algum problema, mas sim mostrou ser saudável.
Peguei o notebook e fui pesquisar sobre Autismo que confesso saber muito pouco, praticamente nada resumindo.
Lendo os sites que encontrava me dava um aperto no coração, pois pude relacionar tudo a ela: Ler sempre os mesmos livros, não conseguir olhar nos olhos, déficits de atenção, resistência ao contato físico, fixação por movimentos, mudanças de humor repentinos. Realmente sempre esteve na minha cara mas nunca percebi. Sou um idiota, concordo com todos.
Naquele momento percebi que pela primeira vez na vida estava realmente me preocupando com alguém que não fosse eu, investiria em Demi e iria curá-la, mas me sentia tão perdido por não saber por onde começar....

Estava em frente a porta de mármore já impaciente, havia tocado a campainha três vezes, mas não podia dar meia volta, talvez a solução para Demi estivesse dentro desta casa que me parece ser bem aconchegante. Toco mais uma vez, prometendo a mim mesmo ser a última, então começo a ouvir passos rápidos vindo em minha direção.
-Desculpa eu estava no ban... Sr. Jonas? – Sr. Brehn me olhou espantado.
-Desculpe incomodar mas será que podemos conversar?
Ele me olhou com ar duvidoso, me dando espaço para entrar.
-Deseja comer ou tomar alguma coisa?
- Não, estou bem assim, obrigado. – Disse o acompanhando até o fundo da casa, onde se encontrava uma mesinha com quatro cadeiras de ferro bem trabalhadas, no meio do quintal gramado.
- Não costumo receber visitas de alunos, ainda mais de alunos como você, e já digo de antemão que aqui não sou professor por isso não tiro dúvidas, mas vindo de você duvido que tem algo haver com estudos.
Nos sentamos de frente um para o outro, não sabia muito bem por onde começar:
- Bem ... Sr., eu gostaria de saber qual é a cura para o autismo.
Ele me encarou bem, um pouco intrigado com minha pergunta:
- Sei que não tenho nada haver com sua vida, mas posso perguntar o motivo para tal pergunta?
- É algo muito pessoal Sr. Brehn, gostaria que não se importasse se não o responder.
Ele hesitou por um tempo e simplesmente falou:
- Não há cura. Infelizmente. – Disse abaixando o olhar.
Ok, aquela resposta foi um baque pra mim, o que iria fazer agora? Ficamos os dois em silêncio por um bom tempo:
-Mas deve haver alguma coisa que se possa fazer... Precisa ter...
- Olha Joe, pode ter plena certeza que se tivesse eu saberia. Mas a única forma tratamento atrás de tratamento, a pessoa se tiver sorte pode melhorar aos poucos, mas curada ela não fica.
Abaixei a cabeça passando as mãos pelo rosto como que tentando tirar aquela sensação de mim, literalmente estava sem saber o que fazer.
- Por favor Sr., preciso fazer alguma coisa, não posso ficar parado.
- Sr Jonas, você quer me dizer o que está acontecendo? – Me deu um olhar encorajador.
- Eu me apaixonei, essa é a verdade. Neste mundo imenso existe uma única mulher que foi capaz de me provar que há um coração dentro de mim, mas eu estraguei tudo.
- E o que autismo tem haver com isso?
- Ela é autista.
Ele pareceu desconfortável com aquela revelação, fechou as mãos em frente a boca erguendo a enorme sobrancelha ( os pêlos que não tem na cabeça, tem de sobra pelo resto do corpo) :
- Sr. Jonas, não é por nada, acredito que essa moça deve ser encantadora, mas... o conhecendo da forma que conheço e junto com todo o conhecimento que tenho sobre a doença, você não faria bem a ela, um autista precisa de cuidados e atenção.
- Eu sei e estou disposto a tudo por ela, ninguém acredita que sou capaz, mas ela sim, sempre apostou em mim e não vou decepcioná-la.
- Me surpreendo com sua atitude, mas tome cuidado, digo isso porque tenho um membro da família autista, a acompanhei desde quando a doença foi descoberta, quando tinha apenas dois anos, é muito delicado e acredite passamos por altos e baixos.
- Sinto muito Sr, não sabia. Mas me diga, o que posso fazer?
- Não há nada a fazer.
- Me perdoe mas se o senhor já perdeu sua energia e desistiu eu digo que estou cheio dela e vou lutar com ou sem sua ajuda.
Me levantei entrando dentro da casa para poder ir embora, mas ao passar pela sala principal me deparo com um porta retrato de Demi, então tudo pareceu se ligar.
- Demi é sua filha? – Ele me olhou surpreso com certeza não imaginava que a conhecesse.
- Você estava falando de Demi? – Ficamos os dois parados tentando absorver tudo o que estava acontecendo. – Na verdade é minha afilhada, mas para mim é como minha filha, por isso Joe esqueci, deixe Demi em paz.
- Isso jamais, mas se quiser recuperar as forças e vim lutar ao meu lado por ela, estarei aqui.
Eu mesmo abri a porta e sai indo em direção a biblioteca da faculdade. Ao entrar me senti perdido no meio de tantos livros, nunca estive aqui na verdade. Perguntei onde ficavam os livro de medicina para a recepcionista.

Subi uma escada no final do corredor que me levou a uma sala imensa com enormes prateleiras cheias de livros, então comecei minha busca desenfreada pelo que procurava.


Continua....

Desculpem pela demora mais minha net deu problema d novo se por acaso isso voltar a acontecer vcs ja sabem o motivo... Cont acompanhando e comentando muitooooo kk bjokas

Respondendo os Comentários:

diana - Demi realmente deu um susto em tds, mas agr vc já sabe o q ela tem kk// 
Mirely Bonfim - Obg, é mt bom saber q está gostando ;)
Fabiola Barboza - Obgadinhuu... cont acompanhando !!
Tatiane Luiza - Agr q vc descobriu o q Demi tem cont lendo, espero q goste do desfecho #
Stephane Gabrielle - Demi realmente estava estranha, vms ver agr o q Joe vai fazer né k
brunna gabriela - Q bom q vc está por dentro do nosso blog, cont atenta q ainda há mts histórias pr serem postadas \o/\o/